É a quinta cria dessa fêmea em sete anos, um evento considerado raro, captado pelo Projeto Onças do Iguaçu

Projeto Onças do Iguaçu registrou, no último mês, imagens inéditas da onça-pintada Janaína acompanhada de dois novos filhotes no Parque Nacional do Iguaçu (PR). No momento do registro, obtido por meio de armadilhas fotográficas, os filhotes tinham cerca de quatro a cinco meses de idade. 

Identificada pela primeira vez em 2018, Janaína tornou-se uma das fêmeas mais emblemáticas monitoradas no Parque. Ao longo dos últimos anos, ela teve cinco eventos reprodutivos documentados, tornando-se a primeira onça-pintada registrada pelo projeto com cinco crias ao longo do tempo — um dado raro e altamente relevante para a conservação da espécie em vida livre. 

Importância para a conservação 

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e está classificada como Vulnerável no Brasil e Criticamente Ameaçada na Mata Atlântica. Entre as principais ameaças à espécie estão a perda e fragmentação de habitat e a caça ilegal, que ainda representa um risco significativo, inclusive em áreas protegidas. Fêmeas reprodutivas como Janaína são fundamentais para a manutenção das populações, garantindo a continuidade genética e a ocupação do território. 

“Registros como este reforçam a importância da manutenção da integridade do Parque Nacional do Iguaçu e a relevância da existência de um projeto de conservação para essa espécie, além de indicar a necessidade de atuação permanente das autoridades ambientais para afastar ameaças como a caça”, indica a coordenadora executiva do projeto, Yara Barros 

“O Iguaçu hoje figura como uma das principais UCs para conservação da onça-pintada no Brasil. A população dessa espécie na Mata Atlântica é, infelizmente, crítica e o Parque integra o maior corredor florestal contínuo do bioma, formando, junto ao Parque Nacional Iguazú, na Argentina, o Corredor Verde trinacional. Nessa região temos a maior população registrada para onça-pintada no bioma”, reforça o coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio), Rogério Cunha de Paula. 

A equipe seguirá acompanhando Janaína e seus filhotes. Assim que for possível determinar o sexo dos jovens, o projeto pretende envolver o público na escolha dos nomes, fortalecendo a conexão entre a conservação da biodiversidade e a sociedade. 

O nome da mãe, Janaína, foi escolhido por parceiros do projeto e remete à ideia de “senhora das águas”, em referência à forte associação da onça-pintada com rios e ambientes florestais bem preservados. 

Sobre o Onças do Iguaçu 

O Projeto Onças do Iguaçu é desenvolvido em parceria pelo Instituto Pró Carnívoros e pelo ICMBio, por meio do Parque Nacional do Iguaçu e do CENAP.  

Atua desde 2018 na conservação da onça-pintada no extremo oeste do Paraná, integrando pesquisa científica, monitoramento populacional, comunicação, educação e estratégias de coexistência. O trabalho desenvolvido no Parque Nacional do Iguaçu é referência nacional e internacional na conservação de grandes carnívoros. 

Fonte: ICMBios