SUSTENTABILIDADE

Reserva legal em pelo menos 20% da propriedade

Uma parceria público-privada criou o Índice de Sustentabilidade Auera (ISA) para avaliar e propor melhorias em propriedades familiares rurais da Região Sul do País. Diferente de outros índices genéricos, o ISA inova ao integrar a dimensão produtiva aos pilares econômico, social e ambiental. A ferramenta reúne 182 indicadores que orientam a gestão rural, com foco na melhoria da qualidade de vida dos agricultores e no estímulo à permanência na atividade.

A iniciativa é um dos resultados do projeto Auera, conduzido em cooperação entre a Embrapa Clima Temperado (RS) e a Philip Morris Brasil, com apoio da Fundação de Apoio Edmundo Gastal (Fapeg). O projeto avaliou mais de 5 mil propriedades de produção de tabaco no Sul do Brasil e serviu como modelo para identificar gargalos, fragilidades e potencialidades.

O objetivo foi fornecer informações e recomendações para auxiliar os agricultores na melhoria dos sistemas produtivos como um todo, considerando rentabilidade, conservação ambiental (fauna, flora, solo, água) e qualidade de vida.

Os fatores que comprometem a sustentabilidade das propriedades estão, na maior parte das vezes, relacionados a formas de produção agrícola que impactam o solo, a água, a saúde dos trabalhadores e a estabilidade financeira das famílias produtoras. Muitos agricultores familiares expressam o desejo de diversificar a produção comercial, incorporando novas atividades e sistemas produtivos. Por esse motivo, o projeto Auera buscou avaliar a propriedade como um todo, e não apenas as áreas destinadas à produção de tabaco.

Imagem mostra exemplo de uso adequado das áreas da propriedade em função da sua capacidade de uso (Google)

Segundo a pesquisadora Rosane Martinazzo, integrante do projeto e atual chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Clima Temperado, o trabalho buscou um modelo de produção baseado em boas práticas agrícolas para otimizar o uso e a conservação dos recursos naturais e da biodiversidade, focando na produção sustentável de alimentos e oferta de serviços ambientais. Ela explica que uma equipe multidisciplinar avaliou as propriedades, identificando gargalos, oportunidades e estabelecendo métricas de sustentabilidade. Os resultados destacam ações para melhorar a rentabilidade e a qualidade de vida dos agricultores familiares parceiros, integrando produção econômica e equilíbrio ecossistêmico.

Ferramenta apoia a gestão rural

O objetivo principal do ISA é atuar como uma ferramenta de suporte à decisão de gestão rural. Ao atribuir métricas que variam de “péssimo” a “excelente”, o índice permite identificar exatamente aspectos que evidenciam prosperidade e oportunidades de melhoria.

De acordo com a metodologia proposta, uma propriedade é considerada sustentável quando atinge a marca de 70% no índice. Em um estudo aplicado em propriedades no Sul do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), o ISA médio foi de 78%, indicando que a agricultura familiar da região é, em geral, sustentável, embora ainda enfrente desafios no manejo de resíduos e na conservação do solo e da água.

Foto: Mariana Rockenbach de Ávila (horta em propriedade familiar no RS)

“O ISA pode ser usado direto pelo agricultor, mas é uma peça-chave para a formulação de políticas públicas. Ele fornece dados precisos que podem orientar investimentos e programas de incentivo, garantindo que o desenvolvimento rural aconteça de forma equilibrada, com preservação dos recursos naturais para as futuras gerações, enquanto mantém a produtividade do campo”, complementa a pesquisadora.

Sustentabilidade na palma da mão

O Índice Auera retira a sustentabilidade do campo das ideias e a coloca na palma da mão dos atores rurais como um indicador de desempenho tangível. Ele permite que o sistema deixe de apenas reagir aos desafios para passar a prosperar de forma equilibrada, garantindo que o avanço econômico caminhe lado a lado com a conservação ambiental e o bem-estar social.

O desenvolvimento do ISA contou com o envolvimento direto de mais de 20 profissionais, entre pesquisadores, analistas, técnicos, assistentes e colaboradores. O projeto reafirma o protagonismo da pesquisa colaborativa na construção de soluções para o campo. Como parte da estratégia de compartilhamento desse conhecimento, os principais resultados e metodologias serão detalhados em um livro que já se encontra em fase final de editoração.

Fonte: Embrapa